“A piora do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção é natural e pode ser positiva”

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Por Patricia Punder*

Ontem, a Transparência Internacional publicou o índice de percepção da corrupção de 2018 abrangendo 180 países do mundo. O Brasil novamente caiu de posição e tal fato não deveria causar nenhum tipo de espanto ou celeuma para todos nós brasileiros. Desde o evento da lei de anticorrupção brasileira, finalmente o Brasil passou a falar publicamente sobre corrupção e dar os primeiros passos para começar a combater este mal. Deixamos de jogar a corrupção para debaixo dos tapetes da sociedade, que chegava a utilizar expressões, tais como “ele rouba, mas faz”, para finalmente olhar o problema diretamente nos olhos.

Enfim, o rei ficou nu e todos tiveram a coragem de expressar que ele estava realmente sem roupa. Este episódio do Brasil passar para a posição 105 dentre 180 países é resultado do fato de que começamos como sociedade a confrontá-la de maneira mais transparente e quase eficaz. Trouxe o problema a luz em toda sua profundidade e extensão. Infelizmente, a fotografia do problema foi muito triste e com raízes sistêmicas em todos os níveis do governo e iniciativa privada.

Nunca na história do Brasil, as pessoas passaram a ter acesso a informação sobre quanto mal que a corrupção causa a sociedade como um todo. Hoje, é possível perguntar nas ruas aleatoriamente para qualquer cidadão sobre o tema corrupção que, com certeza, esta pessoa terá opinião formada e trará à tona exemplos, casos familiares e até sua revolta pessoal. Incrivelmente, podemos falar com um quase orgulho que a grande maioria da população brasileira conhece a formação do Supremo Tribunal Federal. Isso não existe em nenhum lugar do mundo atualmente. Pergunte a um americano ou a um alemão se eles conhecem. Corrupção, consequências, sessões do congresso/senado, votações do STF/STJ passaram a ser pauta da nossa vida faz alguns anos.

Sendo assim, persistindo neste enfrentamento a corrupção, tendo o apoio de toda a sociedade, através da fiscalização seja individual ou coletiva, seja através da cobrança do eleitor aos seus respectivos representantes no legislativo, este efeito negativo, ou seja, de queda do Brasil no índice de percepção da corrupção, irá começar a se reverter gradualmente. Uma vez que existirá com certeza uma percepção de maior controle pelo governo e sociedade da corrupção. Ainda temos um longo caminho a percorrer no Brasil, mas o mais importante já conseguimos e que foi dar o primeiro passo. Finalmente a corrupção está nua!”

*Patricia Punder é advogada experiente, com de 20 anos de prática, incluindo 10 anos com foco exclusivo em Compliance. Profissional certificada internacionalmente pela ECOA – Ethics & Compliance Office Association e Fordham University e nacionamente, pela CPA – LEC. Possui sólida experiência na implementação de programa de Compliance em empresas no Brasil e no exterior, inclusive atuou em empresas internacionais  que foram foco de investigação pelo Departamento de Justiça dos Estados. Responsável por lidar com autoridades internacionais como o FBI, a INTERPOL e a Política Federal Brasileira durante operação de combate de cartel no Bradil. Professora do curso de pós graduação em Gestão de Riscos de Fraudes e Compliance na FIA e LEC. Constantemente convidada para palestrar sobre diversos temas de Compliance, inclusive em Washington em 2016. Recebeu premiação como uma das 20 profissionais mais admiradas e destacadas em Compliance no Brasil pela LEC em 2018.

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2 Comments
  • Igor

    31 de janeiro de 2019 at 12:38 Responder

    Excelente texto Patrícia!

  • ted mundy

    3 de fevereiro de 2019 at 12:05 Responder

    é preciso a constante denuncia, mas principalmente um judiciário mais eficaz….vamos lá!

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