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Apresentação aos stakeholders

Cada vez mais nos deparamos com os termos, em inglês, dos processos de KYC (Know Your Customer), KYP (Know Your Partner), KYS (Know Your Supplier), KYE (Know Your Employee), as variações são muitas, mas o intuito de todas é a mesmo: conhecimento!

Por jcomp / Freepik

Atuo no Compliance do mercado financeiro há um ano e meio, vim da indústria, e confesso que todos esses termos eram confusos no começo. Estava acostumado a fazer due diligences de terceiros, o que nada mais é que do KYS/KYP (Conheça seu Fornecedor/Parceiro). O processo tem como objetivo principal conhecer o seu fornecedor para prevenir o possível relacionamento com empresas com histórico negativo e que possa comprometer a reputação do seu negócio.

No mercado financeiro, altamente regulado e fiscalizado, o processo de KYC (Conheça seu cliente) é um dos mais importantes e tem como principal objetivo “conhecer” o seu cliente, saber se ele tem algum envolvimento passado em casos de lavagem de dinheiro, corrupção, fraude etc. Saber se o seu cliente é um PEP (Pessoa Exposta Politicamente) também é obrigatório e um dos red flags a serem monitorados.

Independente de qual “conheça” estamos falando, basicamente fazemos o famoso e cada vez mais falado background check.

Atualmente existem diversas ferramentas que ajudam muito nesses processos. Ferramentas nacionais, internacionais, com mais ou menos fontes de pesquisa, cada uma com seus custo-benefícios específicos.

Mas é possível fazer um bom background check sem uma ferramenta paga? A resposta é sim, sem dúvidas!

Existem inúmeras fontes públicas disponíveis para consultas, dentre elas posso citar as listas governamentais CEIS, CEPIM, CENEP, a Lista Suja do trabalho escravo do MTE, entre outras nacionais. O site no Ministério Público também é uma ótima fonte de pesquisa e contêm processos, normalmente, mais críticos.

Quando falamos de listas internacionais, podemos citar a lista da Interpol, OFAC, ONU, OSFIC e outras todas públicas. Com um pouco de paciência é possível utilizá-las em seus processos de checagem.

Outro ponto importante em qualquer um do processo de “Conheça” é a busca por mídia negativa. Ai nada supera os bons e velhos buscadores da internet. Particularmente eu uso o Google, mas conheço vários colegas que preferem o Bing.

Preferências à parte, a busca na internet na internet pelo seu cliente, fornecedor etc., associado com palavras-chaves como “corrupção”, “fraude”, “lavagem de dinheiro”, “formação de quadrilhas”, entre outras, poderá te trazer muitos indícios de irregularidades e é um ótimo termômetro para saber se você deve aprofundar mais sua verificação.

Importante nesse momento realizar um filtro nos resultados. Procurar utilizar as matérias de grandes jornais e portais de notícias é o recomendado.

Muitas vezes encontramos noticias em blogs, páginas pessoais ou jornais locais e de pequena circulação. Nesses casos é difícil ter segurança que não há uma segunda intenção por trás na divulgação dessas informações. Não que isso não possa acontecer com os grandes, mas é menos provável.

Em resumo, um bom background check é uma ferramenta efetiva para mitigarmos o risco de imagem da empresa de se relacionar com terceiros (clientes, parceiros ou fornecedores) com um histórico de participação em atos ilícitos.

Citando o filósofo inglês Francis Bacon, que resume bem este artigo, finalizo esse texto: “Conhecimento é poder e pode fazer a diferença na hora de tomar a decisão certa ao se fechar um negócio”.

Luis Henrique da Costa é formado em Ciências da Computação, pela Universidade Nove de Julho (SP), com MBA em Auditoria e Controladoria pela UNA (MG). Possui mais de 10 anos de experiência em auditoria e controles internos. Desde 2014 atua na área de Compliance, com foco em due diligence e gestão de terceiros. Atualmente é Coordenador de Compliance do Banco BS2. Também é membro das comissões de Compliance da Febraban, ABBC e ABECS.